

O que é uma menina
Há algum tempo atrás, precisamente no dia 10/12/2004, eu postei uma receita de menino, muito lindinha por sinal. Dali pra cá muitas águas rolaram na minha vida, e hoje, além do Arthur, também tenho minha mocinha, a Lara. Então, pra que tudo fique bem balanceado, lá vai uma receita de menina, tão encantadora quanto a outra:
O QUE É UMA MENINA
Muita atenção que vou dar uma receita de menina.
Para se fazer uma menina, toma-se uma xícara de felicidade, dois botões azuis, pétalas de rosa, um pouco de glacê, um punhadinho de areia, três conchinhas róseas, uma colherada de imaginação. Acrescenta-se também um pouquinho de sal e muito açúcar e mel, uma casquinha de sorvete, o dengo de um gatinho novo e três gotinhas de perfume.
Não esquecer de um espelhinho prateado, pois uma menina é, antes de tudo, mulher, e logicamente vaidosa.
É importante acrescentar uma borboleta amarela, muita inocência e um dedinho com band-aid.
Recolha com cuidado uma gotinha de orvalho, o brilho de uma jóia, todos os matizes de um quadro de Renoir, uma pitada de sonho e muito carinho.
Consiga um pouquinho daquela brisa que sopra do mar, uma colherinha da luz das estrelas, um sorriso inesperado, o ruído de uma onda na praia e deixe tudo isso ao luar.
Misture tudo e acrescente muita ternura e amor, um pouco de teimosia e muita curiosidade, uma lágrima e duas asinhas de beija-flor.
É assim que são feitas as meninas.
São as coisinhas mais lindas que existem na terra, são muito frágeis e ao mesmo tempo fortes e resistentes.
Com apenas uma lágrima comovem o mais duro dos corações, pois ninguém resiste a um pedido acompanhado de um beijo molhado.
Uma menina parece que nasce sabendo que terá a responsabilidade de alegrar, suavizar e colorir a vida.
MARIA LÚCIA BECATTINI MIRANDA
Escrito por Carla às 08h45
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Coincidência?
Hoje, ao sair de casa após o almoço, para levar os meninos à escola, Lara avistou a avó e foi correndo em sua direção. Minha sogra estava com umas garrafinhas d’água nos braços, e Larinha logo pediu uma. Agarrou a garrafa e não deixou mais ninguém tirar dela.
***
- Mamãe, eu quero água! - gritava Arthur de um lado.
- Não!! - gritava Lara do outro, agarrada na garrafa.
E assim foi o caminho inteiro até a escola.
***
Chegamos na escola, e eu tive que arrancar a garrafa das mãos da Lara, sob protestos (choro), pra poder tirá-la da cadeirinha do carro. Entreguei a garrafinha ao Arthur, pra ver se distraía a pequena, e consegui levar a Lara pra sua salinha. Depois fui levar Arthur pra sua sala.
- Tchau, filho! Me dá a garrafa!
- Não, eu quero beber!
- Filho, tem água aqui na escola. Me dá logo essa garrafa que eu já estou ficando com raiva dela!
***
Estaciono o carro no trabalho. Pego a minha bolsa, a agenda e olho pra garrafinha. Penso se devo levá-la… se não… vai ficar muito quente aqui no carro. Levo.
***
Ao entrar na minha sala de trabalho, com a bendita garrafa na mão, ouço um burburinho e logo alguém me olha e fala:
- Você veio prevenida, heim! Não temos um pingo d’água aqui pra beber!
Escrito por Carla às 15h55
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Antigamente era assim...
Um dia desses, não lembro como, comecei a falar pra Arthur das coisas que fizeram parte da minha infância e que não existem mais (e das coisas que agora são tão úteis e não existiam a um tempo atrás).
- Sabia, filho, que quando eu era pequena não existia cd?
- E como você ouvia música?
- Ah, existiam os discos de vinil, uns discões pretos que a gente colocava pra tocar na radiola.
- Radiola?
- É, o aparelho onde a gente colocava esses discões pra tocar... E sabe que também não existia celular, quando eu era pequena?
- Não?? - com a maior cara de espanto. - E como a gente ligava quando não tava em casa?
- Ligava do orelhão, sabe, já te mostrei na rua... A gente tinha que comprar uma ficha e colocar no orelhão pra poder ligar.
Os olhinhos dele brilhavam com a conversa.
- E sabia que não existia controle remoto nas televisões?
- Não??? - agora com olhos arregalados. - E como a gente mudava de canal?
- Tinha que mexer nos botões ali, da televisão mesmo.
- Mas e se a gente estivesse deitado e cansado?
- Não tinha jeito... tinha que levantar...
Ele ficou pensando um pouco, e falou:
- Mãe, ainda bem que eu nasci nesse tempo agora, né?

Escrito por Carla às 10h00
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